No começo era meio estranho: era como nadar numa piscina de gelatina. Fechada naquele mundinho molhado não sentia fome, não sentia frio e ouvia terna voz que falava, falava sem parar. Esta era meio abafada – pois vinha do lado de fora, mas me trazia imensa paz... até cantarolava e conversava comigo, se não me falha a memória.
Um dia algo começou a dar errado. Senti-me espremida, apertada, puxada por alguém que inconvenientemente me expulsava da morada melequenta e segura. E lá estava eu, em um novo mundo: barulhento, excessivamente luminoso, com aquele ar todo invadindo meus pulmões violentamente. Não consegui me segurar, devo confessar: chorei. Pela primeira vez senti algo ruim que denominei “medo”. Teria eu me separado por completo daquele mundo quentinho, banhado docemente pelo “laia-laiá” que tanto me confortava?!
E chorei, chorei, mas daí senti dois braços me segurarem. Putz! Nem acreditei! Eram tão mais quentinhos do que onde eu tava antes! Consegui, então, me convencer a abrir os olhos. De primeira me deparei com outros dois, grandões, hipinoticamente azuis, lacrimosos, apertadinhos pela contração de um sorriso que parecia querer dominar a face daquela mulher. Então, assim que a escutei proferir algumas palavras com tal emoção que até me espantei, minhas suspeitas se confirmaram: era ela a dona da voz macia.
Levou-me carinhosamente até seu seio, me permitindo sugar-lhe um líquido que não tinha gosto de chocolate nem de pizza, nem de nada parecido, mas que, sei lá... Pareceu me encher de vida. Decidi chamá-lo de “leite materno”. E aquela mulher que me segurava com um abraço apertado; que tinha palavras tão delicadas a me cantarolar; que passou a acordar atenciosamente toda vez a partir de quando descobri que, se gritasse estridentemente, ela viria; à qual eu me sentia estreitamente ligada por mais um novo sentimento (que, dessa vez, era algo muito, muito bom e IMENSURÁVEL, que optei por chamar “amor”); da qual emanava o tal “leite materno” e toda a segurança que eu jamais imaginei ter na minha pré-vida espermatozóidica; a ela decidi chamar “MÃE”.
Daí o tempo foi passando. Meu conhecimento de mundo, meus cabelos e o amor que eu sentia por ela foram crescendo mais e mais, porque ela sim, a minha mãe, foi quem me serviu de suporte e me ensinou a encarar a vida estranha e conturbada do mundo aqui fora.
Obrigada por ter passado mertiolate na ferida, por ter pacientemente catado meus piolhos um a um, por ter me ensinado mundo e fundos (esquecendo apenas do detalhe dos cadarços!) pelos “carões”, pelos conselhos, pelo bife gostoso, pelo denguinho, por limpar mus cocôs (denotativa e conotativamente), e, acima de tudo, obrigada por me permitir imaginar como deve ter sido a primeira vez que te vi, por me acordar com alegria mansinha de mãe, aqueles olhões azuis olhando pra mim, semicerrados por um sorriso dançante, e aquele amor que desde sempre você teve de sobra!
EU AMO VOCÊ, MÃE!
Beatriz, 10/05/2009
Esse texto foi feito por minha filha no dia das mães do ano passado.
Fiquei extremamente emocionada e feliz e não me contive. Tive que compartilhar com vocês, minha galera.
Meus filhos: meu grande orgulho, meus parceiros, pedaços de mim mesma.
Um comentário:
mãe é algo que ñ se explica , muito menos se cria , se mostra através de gestos e palavras , se impõe para mudar em meio as dificuldades , cria caminhos aonde nem mesmo há espaço , se constroe onde já não há mais esperança , mãe é o que nos trás a herança em seu seio amado , a força e a vontade , de impor-se ao que não é possível , de crescer , onde só há meninos , de existir onde o mar encobre . UM POEMA DE RAYLANNA ALICE ( CEARÁ) DEDICADO A TODAS AS MÃES , QUE ALÉM DE MÃES SÃO GRANDES PARCEIRAS.
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